Pular para o conteúdo principal

Pensionistas da Previ contestam gestão Fukunaga e apoiam auditoria do TCU

Pensionistas da Previ contestam gestão Fukunaga e apoiam auditoria do TCU

Aposentados ouvidos pela CNN falam em ingerência política e ações injustificadas

O sindicalista João Luiz Fukunaga, de 39 anos
João Luiz Fukunaga  • Associados Previ

Aposentados da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) veem inconsistências no histórico recente do fundo previdenciário sobre o qual dependem e contestam a gestão do atual presidente, o sindicalista João Fukunaga.

O principal plano da Previ encerrou o ano de 2024 com déficit de R$ 17,6 bilhões. O fundo é o maior da América Latina, responsável pela gestão de mais de R$ 200 bilhões.

"O processo de indicação, nomeação e posse do atual presidente da Previ ocorreu de forma açodada", diz Edvaldo Souza, aposentado do BB desde 2017, de 65 anos, que é presidente da Associação dos Participantes e Assistidos da Previ e Cassi (Apaprevi).

Um acórdão de 2024, apesar de ter concordado em manter Fukunaga na presidência do fundo, dispõe que "de fato, na Previ, a etapa de exame da documentação pelas áreas técnicas foi suprimida e, na Previc, a atestação se deu de modo precário, com documentos apresentados a posteriori".

As partes afirmam que todo o processo de indicação e aprovação do nome foi regular. Ainda assim, a percepção dos aposentados é de que o processo foi considerado muito rápido.

"A celeridade da nomeação do Fukunaga é contestada, pois não houve sequer tempo de contradizer seu nome, pelas comprovadas faltas de formação e experiências mínimas para o cargo", diz Francisco Schwarz, aposentado do BB desde 2015, de 69 anos.

Schwarz ainda questiona as estratégias de investimento adotadas pelo fundo nos últimos anos. Do seu ponto de vista, por exemplo, "não tem o que justifica a compra [dos papéis] da Vibra [antiga BR Distribuidora]".

Sobretudo em um cenário de juros altos, o aposentado vê um erro estratégico por parte da gestão do fundo ao não apostar em ativos mais seguros.

Cerca de 27% dos R$ 228 bilhões do fundo estão alocados em ativos de renda variável. Outros 62,5% em títulos de renda fixa.


Apesar de a renda fixa ainda ser mais expressiva, a CNN apurou que o relatório preliminar da auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sinaliza que a compra de participação acionária na Vibra pelo fundo pode ter contrariado sua política de investimentos de reduzir exposição em renda variável.

O documento está em reta final de elaboração pela área técnica do TCU.

O ministro Walton Alencar Rodrigues aprovou, no começo de fevereiro, a abertura de uma auditoria sob caráter de urgência na gestão da Previ.

Em um manifesto organizado por lideranças dos pensionistas de grandes fundos públicos, os aposentados saíram em defesa do TCU.

"Entendemos que cabia uma mensagem de apoio e desagravo ao Ministro, vez que muitas entidades se levantaram para criticar o pedido [...]. Apoiamos a auditoria do TCU, criticada por entidades que deveriam apoiá-la, vez que aquele órgão poderá apontar a necessidade de aperfeiçoar a gestão da Previ", conta Souza.

Segundo o presidente da Apaprevi, o manifesto teve adesão de mais de 15 mil participantes e assistidos.

Num manifesto anterior, o grupo questionou a Previ e outros fundos sobre "ingerência externa do governo", o qual, segundo Souza, não houve retorno, mesmo que resolução do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) estabeleça prazo de 30 dias para resposta da entidade.

CNN entrou em contato com o fundo, mas ainda não obteve retorno.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/financas/pensionistas-da-previ-contestam-gestao-fukunaga-e-apoiam-auditoria-do-tcu/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Taxas da previdência privada podem consumir quase metade da aposentadoria

Mais de 40% da sua aposentadoria pode ficar com a gestora do seu fundo de previdência em vez de entrar no seu bolso. Essa pode ser diferença entre deixar num plano que cobra 1% ao ano e um de 4%. Uma disparidade de três pontos percentuais na taxa parece pouco. Não é. Ao longo de 30 anos, eles podem formar uma mordida de mais de 40% em cima do total – na comparação entre dois fundos que renderam o mesmo tanto. Ou seja, a cada R$ 1 mil brutos que você acumular, R$ 400 vão embora. Nas simulações que você vê na tabela aqui embaixo, usamos como premissa aportes mensais de R$ 1 mil em um VGBL, o tipo mais comum de previdência privada, mais uma rentabilidade média anual de 10,6% ao ano – que foi o retorno médio do  CDI  entre 2005 e 2025. É exponencial. Quanto mais longo o prazo, maior a perda com as taxas. Mas os valores para intervalos menores também são relevantes. Em 10 anos, os três pontos percentuais de diferença significam 13,5% a menos. Em 20 anos, o prazo mais comum para pla...

Previdência privada: Renda+ perde para o VGBL, mas tem uma arma escondida

Planos de previdência e título de aposentadoria do Tesouro são animais bem diferentes. Entenda os pontos fortes de cada um Existem duas formas simples de planejar a aposentadoria: contratar um plano de  previdência privada  ou usar um título público específico para isso, o  Tesouro Renda+ , uma opção recente, que surgiu em 2023. Apesar desse ponto em comum, eles são animais bem diferentes. Cada um serve para um perfil específico – e vamos comparar os dois aqui. Os planos de previdência privada, vale lembrar, têm aquelas duas modalidades: PGBL e  VGBL . Esta última é a mais popular, de longe. Para simplificar a comparação com o Renda+, então, focamos aqui no  VGBL . Mãos à obra. Vamos pegar como ponto de partida um aporte mensal de  R$ 1 mil . Ao longo de 24 anos, isso significa  288 depósitos , ou seja, R$ 288 mil no total. Por que 24 anos? Porque no Renda+ você é obrigado a escolher um ano específico para o fim do período de acumulação, sempre em...

Veja 5 tendências da previdência privada que devem ganhar força em 2026

Veja 5 tendências da previdência privada que devem ganhar força em 2026 O mercado de previdência privada aberta desacelerou em 2025, impactado principalmente pela cobrança de 5% de IOF em aportes acima de R$ 300 mil por seguradora nos planos do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) a partir da metade do ano. Segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que representa as empresas que operam no ramo, como resultado, de janeiro a novembro de 2025 o setor arrecadou 142 bilhões – queda de 19,6% em relação a 2024, ou seja, R$ 36,5 bilhões a menos. Enquanto os aportes diminuíram, os resgates (dinheiro sacado pelos participantes) subiram 13,9%, para R$ 140 bilhões. Por outro lado, regras mais rígidas, expectativa de benefícios menores e um ambiente econômico que exige mais organização torna mais difícil para quem deseja uma aposentadoria confortável contar apenas com o INSS. Nesse cenário, a previdência privada ainda segue como uma das alternativas mais seg...