Investimentos: como diversificar a carteira pode reduzir o risco e aumentar os ganhos
Especialistas apontam a importância de aplicar recursos em diferentes ativos, a fim de se proteger da volatilidade
"Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta". Essa frase é uma máxima recorrente entre aqueles familiarizados ao universo dos investimentos, e destaca a importância de investir em diferentes ativos, mercados e setores. Para especialistas, a diversificação da carteira de um investidor traz benefícios significativos, ligados principalmente à proteção do patrimônio e à possibilidade de maximizar ganhos a médio e longo prazo.
Conforme dados do mais recente boletim trimestral de pessoa física da B3, publicado em agosto, há atualmente no Brasil 100,2 milhões de investidores em produtos de renda fixa, com um valor em custódia que chega a R$ 2,8 trilhões. O registro representa 23% de crescimento em relação ao segundo trimestre de 2024.
Nos investimentos em renda variável, o número atual de investidores chega a 5,4 milhões. O valor em custódia é de R$ 588,3 bilhões, registrando elevação de 7% em relação ao segundo trimestre do ano anterior.
Mas não só entre produtos de renda fixa e renda variável é possível diversificar a carteira de investimentos. Há também alternativas de ativos em diferentes setores econômicos, localizações geográficas e até gestores do investimento proposto.
— A diversificação de carteira se encaixa em um contexto em que o investidor está em busca de retornos superiores ao benchmark, superiores ao CDI, e para isso sofistica o seu portfólio. A diversificação serve como uma ferramenta de diminuição de riscos e proteção de patrimônio, por um viés mais defensivo, mas é também um recurso para o investidor que está buscando maiores possibilidades de retorno financeiro — afirma Matheus Gallina, sócio da Quantitas Gestão de Recursos.
O que é diversificação da carteira de investimentos?
A carteira de investimentos, ou portfólio, é o conjunto de produtos ou ativos financeiros que cada investidor possui. Os investimentos devem seguir o perfil do investidor e se relacionar aos objetivos que este investidor tem, esperando retornos de curto, médio ou longo prazo.
Os ativos financeiros podem ser divididos em produtos de renda fixa, ou seja, com uma remuneração já definida ou atrelada a algum indicador econômico. Já os ativos de renda variável têm volatilidade maior e embutem mais risco ao investidor, principalmente para quem busca maior retorno a curto prazo.
— O investimento tem que estar sempre adequado ao perfil do investidor, sua expectativa de retorno e sua disposição à exposição ao risco — complementa Matheus Gallina.
Diversificar a carteira de investimentos, portanto, é compor o portfólio com distintos ativos financeiros, com uma combinação que pode ser de produtos de renda fixa e renda variável, na medida da disposição para exposição ao risco e expectativa de retorno que têm o investidor. Em complemento, essa variação também pode ser realizada ao se investir em ativos de diferentes setores da economia, como tecnologia ou agronegócio, ou distintos países, ao se alocar recursos em empresas brasileiras e norte-americanas, por exemplo.
Benefícios de diversificar investimentos
Diversificar a carteira traz diversos benefícios ao investidor, seja ele iniciante ou experiente, com baixa ou alta capacidade de investimento. Entre os principais, estão a diminuição dos riscos de desvalorização do conjunto de ativos, o aumento das possibilidades de ganhos e também o equilíbrio do portfólio para que haja uma valorização média constante.
Os cenários macroeconômicos nacional e internacional — incluindo fatores como a taxa de juros do Brasil, o ritmo da atividade econômica do país, a flutuação do câmbio, guerras comerciais e conflitos armados — impactam de forma heterogênea diferentes ativos financeiros, contribuindo para sua valorização ou desvalorização. Por isso, diversificar os investimentos em mercados, setores ou classes distintas de ativos, contribui para minimizar o risco de perda de valor do conjunto como um todo.
— A diversificação traz um balanceamento da carteira, então como os ativos oscilam bastante ao longo do tempo, para aqueles que oscilarem para baixo, vai ter em contrapartida outros que vão acabar oscilando para cima, diminuindo na média o que é chamado da volatilidade. Com isso, o investidor tende a ter mais ganhos lá na frente e evita acabar se desesperando ou ficar mais apreensivo quando ocorre uma desvalorização a curto prazo — reforça Adriano Severo, planejador financeiro da Severo Capital.
Como diversificar seus investimentos na prática
O investidor que desejar diversificar sua carteira de investimentos deve apostar em diferentes combinações de categorias, mercados, setores e gestores de ativos. Ao final, o que importa é a valorização do conjunto, e não o retorno individual de cada produto.
No caso dos investimentos em ativos de renda fixa, as possibilidades incluem produtos como o Tesouro Direto, os CDBs, as debêntures e os LCIs e LCAs.
Já os produtos de renda variável — mais expostos ao risco, mas que também propiciam maiores possibilidades de ganho — incluem ativos como as ações, os fundos imobiliários e os ETFs.
Dentro dessa gama, os ativos também podem ser divididos em diferentes setores da economia. O investidor pode combinar investimentos ligados ao agronegócio com produtos de áreas como tecnologia ou construção civil. Dessa forma, se protege de eventuais choques setoriais destacados.
De mesmo modo, o investidor também pode optar por investir em ativos de empresas localizadas em diferentes países. Se o mercado brasileiro não apresenta um ritmo de crescimento promissor, é possível diversificar o portfólio com produtos de mercados mais estáveis ou com maior projeção de crescimento, como os Estados Unidos ou países europeus e asiáticos — na bolsa própria brasileira, o investidor pode ter acesso a ativos de outros países, através dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts).
Se o investidor optar por investir através de fundos ou corretoras, também é possível diversificar sua carteira se valendo de mais de um fundo ou mais de uma agência para gerir seus recursos. Fundos e agências normalmente têm especialidades específicas, e variar as escolhas também é uma forma de diversificar seu portfólio.
— A diversificação mais básica de um portfólio é você tirar, inicialmente, parte dos recursos que estão investidos em renda fixa, pós-fixado, e começar a diversificar os indexadores, em um primeiro momento. Depois, ir adquirindo um pouco mais de risco nas carteiras, para que isso te propicie retornos melhores também, através de investimentos de renda variável ou fundos multimercados — destaca Gallina.
Perfil dos investidores brasileiros
A B3, em um estudo publicado em 2024, definiu nove perfis a partir da identificação de comportamentos comuns a investidores cadastrados em sua base. Conforme o levantamento, cada perfil representa hábitos e preferências relativos aos produtos escolhidos para investir e à maneira de gerir os ativos financeiros escolhidos.
— A definição do perfil é importante justamente para adequar quais ativos podem compor a carteira, relacionados à tolerância ao risco, às oscilações da volatilidade. A partir do momento em que o investidor define, digamos, que é conservador, pode se cercar de investimentos com menor risco, e aos poucos pode ir mudando, passando para moderado ou até mesmo podendo chegar ao arrojado — observa Adriano Severo.
Os perfis de investidor definidos pela B3:
Foco em previsibilidade: perfil de investidores que possuem grande parte do seu capital e de suas operações em títulos de renda fixa — 43% do total.
Minha conta é meu investimento: perfil que mantém seu capital em conta corrente com aplicações automáticas em renda fixa — 21% do total.
De portfólio montado: perfil com grau considerável de diversificação de ativos — 16% do total.
Fundos imobiliários: perfil que coloca mais da metade do seu patrimônio em produtos vinculados ao mercado imobiliário — 9% do total.
Sofisticado nos investimentos: perfil de investidores que diversificam muito sua carteira e operam com frequência — 4% do total.
Em busca do tesouro: neste perfil, estão investidores que aplicam essencialmente no Tesouro Direto — 3% do total.
Experimentando a bolsa: perfil de investidores que estão começando a investir na bolsa de valores — 2% do total.
Day Trader: investidores que buscam ganhos rápidos no mesmo dia da operação — 1% do total.
Swing Trade: perfil com foco em oportunidades e em ganhos rápidos, mas que evita operações realizadas no mesmo dia — 1% do total.
Publicado originalmente em https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2025/09/investimentos-como-diversificar-a-carteira-pode-reduzir-o-risco-e-aumentar-os-ganhos-cmfh82eia027f0120nkawb59f.html
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