Pular para o conteúdo principal

Meus primeiros R$ 100 mil: quanto investir por mês para chegar lá em 2, 3 ou 5 anos

 

Meus primeiros R$ 100 mil: quanto investir por mês para chegar lá em 2, 3 ou 5 anos

Alcançar R$ 100 mil em investimentos é um divisor de águas na vida financeira. A pergunta que costuma surgir é: quanto é preciso separar do orçamento mensal para atingir essa cifra o mais rápido possível?

“O segredo é simples: começar pequeno, mas de forma consistente”, aconselha o analista de investimentos Gabriel Uarian, economista-chefe da Cultura Capital. 

+ Veja quanto você teria se tivesse investido R$ 1 mil em ETFs de cripto há 1 ano

Segundo o especialista, o alto patamar da taxa básica de juros, em 15% ao ano, tornou a meta dos R$ 100 mil “uma oportunidade concreta para quem quer colocar o dinheiro para trabalhar”.

Uarian calculou simulações de quanto é preciso guardar mensalmente para atingir a meta nos intervalos de dois, três ou cinco anos, considerando um perfil conservador e um de risco moderado.

Considerado a rentabilidade atual, é possível chegar aos R$ 100 mil em 3 anos, por exemplo, a partir de aportes mensais de R$ 2.200. Veja abaixo as simulações:

Quanto o conservador precisa investir para ter R$ 100 mil

PeríodoAporte Mensal NecessárioTotal InvestidoRetorno Estimado
2 anosR$ 3.600R$ 86.400R$ 13.600
3 anosR$ 2.200R$ 79.200R$ 20.800
5 anosR$ 1.100R$ 66.000R$ 34.000

Quanto o moderado precisa investir para ter R$ 100 mil

PeríodoAporte Mensal NecessárioTotal InvestidoRetorno Estimado
2 anosR$ 3.650R$ 87.600R$ 12.400
3 anosR$ 2.270R$ 81.600R$ 18.400
5 anosR$ 1.180R$ 70.800R$ 29.200

O economista explica que os valores mostrados são estimativas brutas. “Caso aconteça alguma alteração brusca, é preciso adaptar a estratégia à realidade do investidor”, explica.

Conservador x perfil moderado

É fundamental compreender que não existe um perfil “melhor” ou “pior”, mas sim o mais adequado para cada pessoa. A escolha entre ser conservador ou moderado — ou qualquer outro perfil — depende, principalmente, de sua tolerância emocional às perdas.

O investidor de perfil conservador é aquele que tem como prioridade máxima a preservação do seu patrimônio. Com baixa tolerância a riscos, ele prefere a segurança de saber que seu dinheiro não sofrerá grandes oscilações negativas, mesmo que isso signifique abrir mão de rentabilidades mais expressivas.

Já o investidor de perfil moderado representa um meio-termo, buscando um equilíbrio entre segurança e rentabilidade. Ele entende que, para obter retornos acima da inflação e construir patrimônio a longo prazo, é preciso aceitar um nível calculado de risco.

Entenda o cálculo das rentabilidades

Na estimativa para o perfil conservador, Uarian utilizou no cálculo os 15% atuais da Selic. É possível conseguir essa rentabilidade nos títulos Tesouro Direto e em CDBs com rendimento de 100% do CDI, ambas aplicações consideradas de baixo risco.

O Tesouro Selic é um título público emitido pelo governo federal, considerado o investimento mais seguro do país. Sua rentabilidade está diretamente atrelada à taxa Selic. Já o CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos. A opção que rende “100% do CDI” significa que o seu dinheiro renderá exatamente a mesma variação da taxa CDI, um índice que acompanha de perto a Taxa Selic.

No cálculo do perfil moderado, Uarian considerou 50% dos valores investidos também em investimentos que rendem os 15% da Selic. A outra metade do valor seria investida em fundos de ações ou ETFs que atingem a mesma rentabilidade do Ibovespa, o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira. Para esta outra metade, a simulação considera um rendimento de 12% ao ano. O rendimento médio então é de 13,5%.

É importante destacar que, diferente dos títulos do Tesouro e dos CDBs, o Ibovespa não tem um rendimento previsível. A aplicação em ações pode entregar retornos muito maiores ou, pelo contrário, acarretar uma perda de quase todo o valor investido em alguns meses.

Para chegar à estimativa de 12% para o rendimento do Ibovespa, Uarian utilizou a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR, na sigla em inglês), “uma média que leva em conta o efeito bola de neve dos juros rendendo sobre si mesmos, sem se deixar enganar por anos bons ou ruins isolados”, explica.

Assim, devido à volatilidade da renda variável, o investidor moderado deve estar ciente de que o resultado final pode variar, podendo atingir a meta dos R$ 100 mil antes ou depois do previsto, a depender do desempenho real de seus ativos.

Publicado originalmente em https://istoedinheiro.com.br/primeiros-r-100-mil-2-3-5-anos-8102025

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Idade mínima para a aposentadoria aumenta em 2026 e quem não se retirar até 31/12/2025 terá que trabalhar por muito mais tempo no Brasil

Idade mínima para a aposentadoria aumenta em 2026 e quem não se retirar até 31/12/2025 terá que trabalhar por muito mais tempo no Brasil (Reprodução/Marcelo Carnaval/Agência Brasil) Os brasileiros que pretendem se aposentar pelas regras de transição da Previdência Social devem ficar atentos: a partir de 2026, entram em vigor novos aumentos na idade mínima e na pontuação exigida para concessão do benefício. As mudanças estão previstas na reforma da Previdência aprovada em 2019 e atingem principalmente quem já contribuía para o INSS antes da alteração das regras. Pela regra da idade mínima progressiva, haverá um acréscimo de seis meses nos requisitos para homens e mulheres em relação a 2025. A partir de 2026, mulheres precisarão ter 59 anos e seis meses de idade, enquanto homens deverão alcançar 64 anos e seis meses. O tempo mínimo de contribuição permanece inalterado: 30 anos para mulheres e 35 anos para homens. Essa regra prevê aumentos graduais anuais, conforme definido na...

Livros sobre finanças que você precisa ler em 2026

Livros sobre finanças que você precisa ler em 2026 Educação financeira sem promessas fáceis: obras ajudam a organizar decisões, entender comportamentos e escolher o caminho certo para cada momento financeiro. Leitor concentrado com um livro sobre finanças nas mãos, cercado por grandes montes de notas de reais ao fundo.  crédito: Reprodução Educando Seu Bolso Todo começo de ano vem acompanhado daquela lista clássica de metas: organizar as finanças, sair do aperto, investir melhor, finalmente entender para onde o dinheiro está indo. Se você também é assim, talvez seja hora de começar a consumir conteúdo sobre finanças. E não, não estamos falando de um TikTok de 30 segundos com os investimentos mais rentáveis.  Uma das formas mais eficientes (e acessíveis) de começar é lendo bons livros sobre finanças pessoais. O que já une dois objetivos, já que provavelmente você quer ler mais e ficar mais offline ne?  A boa notícia é que não faltam obras que falam de dinheiro de um jeito ...

Plano de saúde: escolha exige atenção na cobertura e impacto no bem-estar

Plano de saúde: escolha exige atenção na cobertura e impacto no bem-estar Plano de saúde (foto divulgação) O mercado brasileiro de planos de saúde atravessa, em janeiro de 2026, um período de ajustes estruturais marcado por custos assistenciais elevados, redes mais segmentadas e contratos mais complexos. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)indicam que o setor atende cerca de 51 milhões de beneficiários, número estável após anos de crescimento irregular e cancelamentos motivados por reajustes acima da renda das famílias.  Por esse motivo, escolher um plano de saúde tornou-se uma decisão que vai além do valor da mensalidade e passa a exigir análise cuidadosa de coberturas, regras contratuais e acesso real aos serviços. Leandro Lago,  especialista em proteção de riscos financeiros e proprietário do Grupo Futuro,  afirma que boa parte das frustrações dos usuários decorre de escolhas feitas com base apenas no preço. “O plano mais barato nem sempre é o mais...