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Menos ativos, mais geografia: a estratégia do Santander no exterior para investidores brasileiros

 

Menos ativos, mais geografia: a estratégia do Santander no exterior para investidores brasileiros

Não é de hoje que se fala em dólar mais fraco e em apostas para além das bolsas norte-americanas — e o brasileiro vê isso na prática, com o recuo da moeda dos EUA em relação ao real e entrada de gringos na B3. As incertezas na geopolítica, porém, intensificaram esse discurso e trouxeram novos protagonistas para o jogo da diversificação de investimentos lá fora. Com isso, na estratégia atual do Santander, vale mais para o investidor diversificar geograficamente os investimentos do que alternar os ativos do portfólio em si.

A alocação de portfólios, assim como a exposição a ativos internacionais, vem sendo ajustada no banco. A mudança na estratégia de diversificação internacional dos investidores brasileiros acontece em um cenário de monitoramento sobre a previsão de corte de juros por parte do Federal Reserve (o Fed, banco central norte-americano) e de diversos pontos de incerteza global, que geram volatilidade no mercado.

“Temos observado uma cautela maior do Fed para cortar juros porque ele quer entender o efeito das tarifas da inflação. Já tínhamos um cenário de desaceleração da inflação e da atividade que, por si, não era negativo porque a atividade global americana estava crescendo bem acima do potencial e isso cria condições para o corte de juros lá", explica Renato Santaniello, chefe de alocação da Santander Asset Management.

Em que mercados investir?

Apesar do tarifaço, o chefe da gestora enfatiza que as bolsas globais ficaram positivas, graças também à redução das taxas aplicadas para alguns países, como o Brasil. Diante da incerteza nos EUA, ele reforça a importância da diversificação geográfica para proteger o patrimônio, aproveitando vantagens competitivas de cada região. Assim, mercados como Europa, Ásia e América Latina ganham destaque.

Setores que não são acessíveis ao investidor brasileiro no mercado local — como tecnologia e saúde — são encontrados em outras regiões. Na Europa, o destaque fica para o setor farmacêutico, que desenvolve novos medicamentos.

"São empresas que já se tornaram as principais da região por conta dessas descobertas. Tendo essa diversificação global, o investidor consegue capturar e diversificar os fatores de risco que está alocado. Se você tá em Ibovespa, basicamente está em commodities e bancos e não tem nada em tecnologia. Tudo que está sendo desenvolvido de ponta, que, de fato está trazendo crescimento no mundo, você não participa. Por isso, é importante ter essa essa alocação diversificada para melhorar a relação de retorno e risco dos seus investimentos", diz o chefe da gestora.

De acordo com Santaniello, a América Latina, incluindo o Brasil, deve se beneficiar do movimento global de investimentos, com uma migração de recurso para cá. "Eventualmente pode ter algum evento que afete a bolsa brasileira, mas a bolsa americana e europeia fica mais estável e só essa diferenciação já ajuda muito", diz.

Justamente por isso, entre os ativos considerados indispensáveis, a recomendação do banco é investir em fundos que tenham o melhor dos dois mundos: alocação global pulverizada, incluindo parte em países emergentes. Para isso, os preferidos são os fundos globais que possuem "benchmark", a famosa referência, em dois índices:

  • MSCI All Country World, que replica índices de países desenvolvidos;
  • MSCI ACWI ETF, que tem parcela de exposição aos países emergentes.

Segundo o gestor, fundos que replicam estes índices acabam alocando com maior pulverização, conseguindo aproveitar bons potenciais de mercado ao redor do mundo.

"Não ter nada é ruim", pontua o chefe da gestora

Apesar de apostar na diversificação geográfica, as bolsas dos EUA continuam na mira do banco em razão das boas perspectivas para o futuro. Santaniello avalia que o Santander observa um resultado "muito positivo das empresas americanas, com projeção de crescimento de 10% a 15% nos próximos anos" e crescimento de lucro robusto daqui para frente.

"O que temos observado nos resultados recentes é que ainda tem surpresas positivas nas estimativas e isso acaba sustentando uma boa perspectiva para a bolsa e tudo leva a crer que teremos condições de ter na continuidade do processo de corte de juros e, nesse cenário, somada ainda uma perspectiva positiva das empresas com IA, produtividade em relação a tecnologia, crescimento de lucro e o Fed começando a cortar juros, tem um pano de fundo bem interessante para bolsas em geral", avalia ele.

Neste cenário, quem não tem nenhuma alocação lá fora pode aproveitar o momento, considerado por Santaniello como "uma boa oportunidade para conseguir capturar esse movimento".

"Tem diversos estudos que, quando o banco central dos EUA começa a cortar juros, nos próximos 12 meses a bolsa americana cresce em torno de 12%, dependendo do motivo do corte de juros. Se tiver uma recessão no meio do caminho, tem estimativas de 15% a 17% no mesmo período. Só isso já ajuda a sustentar o cenário positivo", comenta o chefe da gestora.

No cenário atual de enfraquecimento do dólar, o Santander prefere alocações sem exposição cambial, ou seja, para o banco, se torna mais interessante evitar a variação do dólar americano contra o real.

Santaniello explica que os fundos com hedge cambial protegem contra a variação da moeda, portanto, o retorno para o investidor é exatamente a variação do ativo em dólar. Já sem hedge cambial, o investimento é impactado pela variação da moeda e funciona melhor em cenário de dólar forte já que, além da variação do ativo em dólar, o investidor recebe a variação positiva da moeda americana contra o real.

— Foto: Getty Images
— Foto: Getty Images

Publicado originalmente em https://valorinveste.globo.com/produtos/investimento-no-exterior/noticia/2025/08/29/menos-ativos-mais-geografia-a-estrategia-do-santander-no-exterior-para-investidores-brasileiros.ghtml

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