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Ansiedade Financeira dos Brasileiros Atinge Nível Elevado Diante da Instabilidade Econômica

 

Ansiedade Financeira dos Brasileiros Atinge Nível Elevado Diante da Instabilidade Econômica

Fim do mês virou motivo de tensão para brasileiros, que pontuaram 8,6 de 10 em uma escala de ansiedade

Ansiedade
Foto: Getty Images
Tensão financeira pode gerar impacto na saúde mental

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Para parte da população, o fim do mês deixou de ser apenas uma virada no calendário e passou a ser sinônimo de tensão. Prazos vencidos, contas a pagar e prestações para quitar, essa é a realidade da maioria dos brasileiros.

Segundo dados do estudo “Acrobacia Financeira” do banco Inter, apresentado nesta manhã (03), estabilidade econômica é uma exceção. Menos de 30% dos entrevistados afirmam que sua vida financeira está “em ordem” ou equilibrada. Para o restante, a realidade oscila entre viver “no limite”, na instabilidade ou no caos absoluto.

Essa tensão constante gera um impacto na saúde mental. A pesquisa identifica que, quanto maior o desequilíbrio nas contas, mais alto o nível de ansiedade, criando um cenário onde o corpo não descansa, já que “a mente calcula, o corpo tensiona e o humor oscila.”

Por exemplo, para quem está na zona de caos financeiro, o nível de ansiedade chega a 8,6 em uma escala de 10. Além disso, 84% dos brasileiros já tiveram algum problema de saúde física ou mental relacionada a preocupações com finanças, aponta o Serasa.

Outro fator é a desconexão entre a educação financeira tradicional e a realidade entre as pessoas. Para o Inter, mesmo que 91% dos brasileiros acreditem que precisam saber mais sobre o tema, os modelos atuais não resolvem as dores imediatas da população.

O problema reside entre a teoria e a prática. A educação financeira prega planejamento e visão de longo prazo. No entanto, para a pessoa física, essas variáveis são escassas. A pesquisa destaca que o aprendizado financeiro acaba se tornando um “privilégio do tempo disponível, e isso é algo que aparece quando a vida está minimamente estável.”

Em outras palavras, a lógica deixa de ser o planejamento do futuro e torna-se binária e imediata, pois ou a pessoa diminui o custo de vida ou aumenta a renda.

Corda bamba

Segundo o estudo, a população não vive apenas com o orçamento apertado, ela vive se equilibrando em uma “corda bamba.” Com a taxa Selic a 15% — maior patamar da história — o custo total das dívidas cresce, já que as parcelas mensais se tornam mais pesadas, dificultando o pagamento em dia.

Na prática, o aumento das taxas de juros encarece o crédito. Isso significa que as dívidas de cartões de crédito e os empréstimos se tornam mais caras e difíceis de quitar. Com juros elevados, muitos acabam pagando apenas o mínimo necessário. Isso faz com que mais juros sejam aplicados, aumentando o risco de uma escalada da dívida.

Além disso, as condições de renegociação costumam se tornar mais restritivas, dificultando a obtenção de taxas menores ou prazos mais longos. As novas linhas de crédito também se tornam menos acessíveis, dificultando o planejamento financeiro para quem já está endividado.

Diante dessa pressão financeira, muitos podem atrasar pagamentos, o que pode levar a uma espiral de endividamento. Nesse cenário, a percepção de risco também aumenta. Ou seja, consumidores tendem a ser mais cautelosos ao assumir novas dívidas, enquanto aqueles que já estão endividados podem sentir que a situação está fora de controle.

Essa combinação de custos mais altos e perda de confiança na capacidade de honrar as obrigações pode resultar em um aumento ainda maior nos índices de inadimplência. Em setembro deste ano, o Serasa registrou 78,2 milhões de brasileiros com pagamentos em atraso — o maior número da série histórica. O volume total das dívidas vencidas se aproximou de R$ 500 bilhões.

Vivendo de prazo

A pesquisa também revela que 39% dos brasileiros utilizam o cartão de crédito para ganhar prazo. Em um ambiente econômico marcado por instabilidades, as pessoas encontram maneiras de navegar entre dívidas, boletos e contas.

O pix parcelado para despesas essenciais, por exemplo, é usado por 28% da amostra. Já o pagamento mínimo de boletos é de 31%.

De acordo com o relatório, nesse cenário, o crédito desempenha um papel dúbio. Ele é percebido tanto como o apoio que evita a queda — dando fôlego e prazo — quanto o “vento” que balança a travessia, gerando dívidas e ansiedade.

Publicado originalmente em https://forbes.com.br/forbes-money/2025/12/ansiedade-financeira-dos-brasileiros-atinge-nivel-elevado-diante-da-instabilidade-economica/

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