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Investir fora exige cautela após virada do mercado brasileiro; entenda

 

Dolarização segue válida como diversificação, mas cenário pede atenção ao momento e ao longo prazo

( Foto: AdobeStock )


No ano passado, uma das modas do mercado financeiro foi passar a investir lá fora, incluindo pequenas economias. Entretanto, quem exagerou na dose, achando que o País estava com os dias contados, perdeu os juros altos da renda fixa e a surpreendente retomada do Ibovespa, que subiu 44% nos últimos 12 meses. Já os principais índices americanos, em igual período, ficaram bem atrás da Bolsa brasileira – Dow Jones subiu 11%, o S&P 500 ganhou 12% e a Nasdaq, 13%. Estar dolarizado também não ajudou – em relação ao real a moeda caiu 8%.

Entretanto, continua válido investir no exterior enquanto diversificação, como forma de proteger o patrimônio em caso de crise no Brasil. Porém, é preciso saber diferenciar o que é do momento e o que se busca para o longo prazo. Hoje, há um pessimismo com as ações de tecnologia dos EUA, com grandes fundos, como o Black Rock buscando emergentes, como o Brasil.

Se quiser fazer investimentos nos EUA, é preciso acompanhar o noticiário de negócios do país. Não tem sentido investir sem saber o que as gigantes da tecnologia e dos setores convencionais estão fazendo ou como andam os títulos públicos e privados gringos.

Existem várias formas de dolarizar seus investimentos. A forma mais óbvia para investir nos EUA é abrir conta em corretora gringa – algumas têm aplicativos em português e taxas gratuitas (poucas). Operar no mercado dos EUA garante uma vantagem prática em relação ao Brasil. Lá não é preciso comprar a unidade inteira de ação, adquirindo apenas uma fração.

Também há opções para dolarizar seus investimentos sem sair do Brasil, como ETFs (fundos negociados em Bolsa) de índices de ações dos EUA ou de setores específicos, como tecnologia, small caps (empresas de menor capitalização) e bancos americanos. São pelo menos dez ETFs com ações dos EUA em negociação na B3 (Bolsa de SP). Dá ainda para investir no Brasil em BDRs, títulos que espelham ações estrangeiras (mas não são ações) ou investir em empresas brasileiras que exportam, como carnes, papel e celulose, minérios e Embraer. Na prática, elas têm receita em dólar e ganham ou sofrem conforme a cotação da moeda.

Aluguel de supermercados

Em breve será possível investir para faturar com aluguéis pagos pelo Atacadão. Duas gestoras de fundos imobiliários, Guardian e TRX, compraram 22 imóveis do atacarejo por R$ 1 bilhão, com a rede continuando como inquilina por 15 anos.

Tesouro pós-queda da Selic

Para analistas, a taxa básica em queda não prejudica o investidor de Tesouro Selic, pois os juros devem continuar em dois dígitos o ano todo. Esse título é bom para reserva de emergência.
Já os IPCAs 2032 e 2040 são os melhores para o longo prazo.

ETFs de dividendos

O BV Coin (código COIN11 na Bolsa) foi o melhor ETF de dividendo de 2025, com 23,2%, segundo o blog Bora Investir. Esse tipo de ETF deposita um valor extra na conta do cotista, baseado nos dividendos das ações que compõem o fundo.

Publicado originalmente em https://www.atribuna.com.br/opiniao/marcelo-santos/investir-fora-exige-cautela-apos-virada-do-mercado-brasileiro-entenda-1.502676

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