Além da investigação profunda dos negócios do Master e de seus vínculos políticos, é fundamental que o Banco Central e o setor financeiro adotem regras rígidas
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(Rovena Rosa/ Agência Brasi) |
Os períodos do recesso parlamentar e do Carnaval não foram suficientes para esfriar a crise política do caso Master, desapontando os políticos de diferentes correntes ideológicas, da situação e da oposição. Pelo contrário, as denúncias se avolumaram e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli cedeu espaço ao colega André Mendonça. Houve até mais uma liquidação relacionada ao grupo financeiro, a do Pleno, acrescentando R$ 5 bilhões em compromissos que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) terá que ressarcir aos correntistas com até R$ 250 mil por CPF. No total, o FGC desembolsará R$ 51 bilhões pelo Master, Will (do mesmo grupo) e Pleno (vendido pelo Master a seu ex-sócio Augusto Lima).
O Master tem tantas conexões que é um caso difícil de acompanhar. Mas uma solução que agrade à sociedade é fundamental para manter a confiança dos brasileiros, que depositam suas poupanças de uma vida inteira no setor financeiro. Sem isso, o Brasil seguirá caminho como o do Líbano, onde os bancos quebraram por outros motivos e a confiança está no investimento em ouro. Na Argentina, por causas inflacionárias, a segurança continua no dólar, apesar de sua fraqueza atual.
Porém, uma rentabilidade exagerada também pode ser sinal de desespero para reforçar o caixa.
O problema com o CDB do Master é que pode levar investidores a temerem essa modalidade apenas por sua atual exposição negativa na mídia, lembrando que esses papéis geralmente atraem poupadores conservadores ou são usados para reserva de emergências (gastos urgentes frente a demissões, doenças e acidentes). Isso também pode prejudicar bancos pequenos que atuam com ética e solidez e estimular a concentração nas grandes instituições.
Por isso, além da investigação profunda dos negócios do Master e de seus vínculos políticos, é fundamental que o Banco Central, o setor bancário e todo o mercado financeiro atuem pela confiança do investidor, com uma devida conscientização dos riscos, e na adoção de regras rígidas para evitar abusos. Não há um caos adiante e os segmentos de papéis e de outros investimentos seguem normalmente. Sem uma ação preventiva, uma eventual confusão nos moldes do atual caso poderá causar mais problemas ainda aos investidores.
Publicado orginalmente em https://www.atribuna.com.br/opiniao/editorial-atribuna/pela-confianca-do-investidor-1.502656

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