Nota de crédito da empresa foi rebaixada para nível especulativo pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings em movimento que estendeu a queda nos títulos da companhia, cujos preços foram reduzidos quase pela metade na última semana

Bloomberg — A nota de crédito da Raízen foi rebaixada drasticamente para nível especulativo saindo do grau de investimento, pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, à medida que a empresa de açúcar e etanol enfrenta um aperto crescente de liquidez.
O movimento prolonga a queda nos títulos da companhia, cujos preços foram reduzidos quase pela metade na última semana.
A pressão crescente sobre a empresa — que até agora não conseguiu levantar recursos adicionais junto às controladoras Cosan e Shell — levou à contratação da assessoria Alvarez & Marsal como parte dos esforços para reforçar sua situação financeira, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A turbulência que envolve a Raízen abalou os investidores, que levaram os preços de seus títulos a níveis de estresse, e está alimentando preocupações sobre a pressão enfrentada por outras empresas em dificuldades que captaram recursos nos mercados de dívida brasileiros.
Na segunda-feira, a Raízen sofreu rebaixamentos consecutivos e excepcionalmente profundos por parte da Fitch e da S&P, levando sua dívida de grau de investimento para o território de títulos de alto risco.
Ambas as agências mantiveram as classificações em observação negativa, indicando que podem sofrer novos rebaixamentos.
A Fitch rebaixou a classificação da companhia em cinco níveis, para B, citando “a falha dos acionistas em executar uma injeção de capital substancial”, o desempenho operacional mais fraco do que o esperado e uma posição de liquidez “mais desafiadora”.
A S&P rebaixou a classificação em sete níveis, para CCC+, dizendo que “há riscos crescentes de uma reestruturação da dívida que interpretaríamos como um default”.
A Raízen tem enfrentado dificuldades para lidar com altas taxas de juros, colheitas mais fracas do que o esperado e uma série de apostas ambiciosas — do etanol de segunda geração ao combustível de aviação sustentável — que ainda não geraram retornos significativos.

A empresa precisa de um aporte de capital entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões, disse o UBS BB Investment Bank no final do ano passado. Mas as negociações com os controladores Cosan e Shell têm se arrastado sem produzir resultados.
Em reuniões recentes para tratar das crescentes pressões financeiras na empresa, a Raízen e seus consultores discutiram possíveis cenários, incluindo um ‘haircut’ de dívida em uma reestruturação, disseram pessoas familiarizadas com o assunto na semana passada.
A empresa informou em um comunicado que está consultando assessores financeiros e jurídicos para explorar maneiras de fortalecer sua posição de liquidez e otimizar sua estrutura de capital.
Os títulos em dólares da Raízen que vencem em 2037 caíam cerca de 7 centavos de dólar às 11:20 em Nova York, para 45,5 centavos de dólar, ante mais de 80 centavos de dólar na semana passada.
Os títulos já haviam despencado quase 30 centavos de dólar na semana passada, à medida que se arrastam as conversas entre os controladores Cosan e Shell.
Os títulos agora rendem cerca de 18%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Isso se compara com o rendimento abaixo de 10% no início do mês.
Publicado originalmente em https://www.bloomberglinea.com.br/negocios/fitch-rebaixa-raizen-que-contrata-consultores-em-esforco-para-fortalecer-liquidez/
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