Depois do Ibovespa subir em dois meses mais do que a Selic sobe em uma ano, as ações passaram a liderar o ranking dos investimentos mais buscados
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Segundo o levantamento mensal feito pelo buscador de investimentos Yubb, as ações finalmente desbancaram os Certificados de Depósito Bancário (os famosos CDBs) do topo do ranking dos ativos mais procurados em fevereiro. E grande parte disso se deve à alta do Ibovespa, que registrou 12,56% de valorização em janeiro e mais 4% no mês passado. O movimento teve efeito também nos fundos de ações, que pularam da quarta para a terceira posição do ranking no mês passado.
Com a guerra entre EUA e Irã, no entanto, o principal índice da bolsa brasileira já devolveu parte significativa dos ganhos dos primeiros meses do ano em poucos dias de março. E se esse movimento continuar, isso pode colocar as ações em xeque novamente.
Os CDBs, por sua vez, lideraram o ranking na maior parte de 2025 e também estavam no topo da lista em janeiro, mesmo com o Ibovespa voando. Também, pudera. Com a novela de liquidação do Banco Master, que posteriormente também atingiu o Will e o Pleno, esses ativos ficaram no noticiário por um bom tempo, o que elevou ainda mais o interesse dos investidores sobre eles. Em fevereiro, eles caíram para a segunda colocação. No entanto, a guerra também pode impacto-los e colocá-los em evidência novamente.
Isso porque uma das principais preocupações do mercado em relação ao conflito é a escalada do petróleo. Afinal, o Irã é um dos maiores produtores da commodity do mundo e controla o estreito de Ormuz, um dos principais pontos de distribuição do produto. Portanto, uma guerra envolvendo o país afeta não só a produção, como a distribuição do petróleo. Assim, o preço da commodity pode aumentar devido a oferta menor.
Como o petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos, quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens. E para manter suas margens, essas empresas repassam esses custos ao consumidor final e esse efeito pode se espalhar por toda a economia, pressionando os preços em geral e aumentando a inflação globalmente.
Caso a inflação aumente, o Banco Central pode ter menos margem para cortar a Selic. E se os juros permanecem altos, a rentabilidade de muitos CDBs e outros ativos de renda fixa também fica elevada, já que parte desses produtos têm seu retorno atrelado à Selic.
Quem mais aparece no ranking?
Além das ações, CDBs e fundos de ações, que aparecem nas primeiras colocações, respectivamente, estão na lista os títulos públicos negociados pelo Tesouro Direto, que caíram da terceira para a quarta posição. Já os fundos multimercados subiram da sexta para a quinta posição. Esses ativos expõem o investidor a um risco mais alto, mas com parcimônia, já que suas cestas podem combinar tanto renda fixa quanto renda variável.
Na sexta colocação ficaram as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que caíram uma posição na lista. Já as Letras de Câmbio (LCs) e os Recibos de Depósito Bancário (RDBs) subiram da décima para a sétima posição no mês.
Por fim, completam a lista os fundos imobiliários, que saíram do sétimo para o oitavo lugar; os fundos de renda fixa, que sequer apareceram em janeiro e agora figuram na nona colocação; e os fundos de índices (os ETFs), que caíram da oitava para a décima posição.
Investimentos mais buscados em fevereiro
Entenda como funciona cada um dos ativos citados
1º - Ações
As ações negociadas na bolsa de valores funcionam como se o investidor tivesse uma pequena participação daquela companhia. Portanto, cada papel (como também são chamadas as ações) é como se fosse um "pedaço" daquela empresa. As ações podem ser preferenciais ou ordinárias.
Quem tem ações ordinárias tem direito de voto nas assembleias de acionistas. Normalmente os acionistas recebem um voto por ação para eleger os membros do conselho que supervisionam a administração. Já quem tem as ações preferenciais, tem maiores direitos sobre os lucros e ativos de uma empresa.
2º - CDBs
Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) funcionam como se fossem um "empréstimo" do investidor ao banco que emite aquele papel. O rendimento mais comum é atrelada ao CDI (Certificado Depósito Interbancário, taxa que segue de perto a Selic). Os bancos maiores e mais tradicionais normalmente oferecem uma remuneração abaixo ou até 100% do CDI para produtos com liquidez, por terem menor risco. Já os bancos pequenos e médios podem pagar até mais de 120% do CDI. Essa rentabilidade é pré-determinada. Portanto, você sabe o tamanho da parcela que receberá sobre o CDI no momento em que investir.
Há também os CDBs pós-fixados e os que pagam um juro real acima do IPCA. Nesses dois casos, o investidor costuma abrir mão de liquidez em troca de uma perspectiva de ganho levemente acima do CDI.
3º - Fundos de ações
Como o próprio nome sugere, esses fundos têm a maior parte de sua "cesta" composta por ações escolhidas por aquele gestor.
4º - Tesouro Direto
Os títulos públicos negociados pela plataforma on-line do Tesouro Direto são títulos de dívida emitidos pelo governo para financiar suas atividades. Eles funcionam como um empréstimo do investidor ao próprio governo brasileiro, que vai devolver o valor no futuro, acrescido de juros.
Os títulos do Tesouro podem ser prefixados (em que o rendimento nominal já é determinado na hora da compra), pós-fixados (em que o retorno é atrelado à Selic, seja ela qual for) ou híbrido, com uma parcela pós-fixado indexado ao IPCA (no qual o rendimento acompanha a variação da inflação) mais um componente de juro real fixo.
5º - Fundos multimercados
Os fundos multimercados são como uma "cesta de ativos" que pode conter diferentes tipos de papéis. Portanto, pode haver dentro daquele pacote papéis como ações, títulos públicos, dólar, contratos de juros etc. Eles são escolhidos por um gestor profissional, que é remunerado com parte das taxas que os investidores pagam para ter o seu dinheiro naquele fundo.
6º - LCIs e LCAs
As letras de crédito imobiliário (LCIs) e as letras de crédito do agronegócio (LCAs) são títulos de crédito emitidos por instituições financeiras para financiar atividades do setor imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA).
Para o investidor esses ativos são semelhantes a um CDB, com a diferença de serem isentos de Imposto de Renda e normalmente terem um prazo mínimo de carência, sem possibilidade de resgate.
7º - LCs e RDBs
As letras de câmbio (LCs) e os Recibos de Depósito Bancário (RDBs) têm uma lógica semelhante à dos CDBs. Nesse caso, no entanto, eles são emitidos por instituições financeiras que não são bancos tradicionais, e normalmente não dão liquidez antes do vencimento. Portanto, o investidor precisa esperar finalizar o prazo para ter seu dinheiro de volta.
8º - Fundos de investimento imobiliário
Esses fundos funcionam como uma espécie de “condomínio” de investidores que reúnem seus recursos para aplicar, juntos, no mercado imobiliário.
O montante pode ser usado na construção ou compra de imóveis, que depois serão alugados ou arrendados e os ganhos obtidos nisso são divididos entre aqueles investidores, respeitando a proporção que cada investidor aplicou. Esses são chamados "fundos de tijolo".
Há um outro tipo em que o dinheiro é aplicado em títulos ligados ao mercado imobiliário, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras Hipotecárias (LHs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ou até mesmo em cotas de outros fundos imobiliários. Esses tipos são chamados de "fundos de papel".
9º - Fundos de renda fixa
Esses são fundos em que a maior parte da "cesta" é composta por ativos de renda fixa, como títulos públicos, CDBs e debêntures. Assim como em outros fundos, a gestão do fundo é feita por um profissional, que escolhe os papéis de acordo com a estratégia do fundo e é remunerado por meio das taxas cobradas dos investidores.
10º - Fundos de índices (ETFs)
Esses fundos têm gestão passiva e acompanham a composição de um determinado índice negociado na bolsa brasileira ou estrangeira. Esses índices podem ser de ações ou renda fixa.
Justamente por ter gestão passiva (ou seja, "exigir menos trabalho do gestor") eles costumam ter uma taxa de administração mais barata para os investidores.
Publicado originalmente em https://valorinveste.globo.com/objetivo/hora-de-investir/noticia/2026/03/06/acoes-lideram-entre-investimentos-mais-procurados-a-guerra-ameaca-a-preferencia.ghtml
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