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Dinheiro é poder: especialistas explicam como a autonomia financeira amplia a liberdade das mulheres

Em live, Dani Junco, CEO da B2Mamy, e Carolina Cavenaghi, CEO da Fin4She, deram dicas para quem deseja conquistar os primeiros passos da autonomia financeira

Na visão de Junco, a liberdade financeira representa uma liberdade primordial, que garante maior poder de escolha para decisões futuras. “Vivemos em uma sociedade em que é o dinheiro que dá o poder de as pessoas dizerem o que elas querem e o que elas não querem. Até para sonhar mais alto, o dinheiro é necessário”, destaca.

O reconhecimento desse poder costuma levar tempo. Em muitos casos, a preocupação com o dinheiro surge apenas em momentos de virada, como a maternidade ou períodos de pausa na carreira, quando a necessidade de reorganizar a vida financeira se torna mais evidente. Perceber a importância do planejamento apenas nessa fase pode trazer desafios adicionais e tornar o processo de organização mais difícil.

Esse planejamento ganha ainda maior importância no cenário atual, com as mulheres no centro da chamada “Grande Transferência de Riqueza” (ou “The Great Wealth Transfer”, em inglês), fenômeno gradual que representa uma mudança de capital entre gerações e deve mexer com o mercado financeiro. Como mostramos nesta matéria, as mulheres estão em posição de se tornarem as principais impulsionadoras do crescimento econômico mundial.

Cavenaghi destaca a importância de separar, primeiramente, os conceitos de independência financeira e liberdade financeira. O primeiro representa o momento em que a mulher tem dinheiro para pagar suas contas essenciais e conseguir viver. Já a liberdade financeira vai além: ela permite que a pessoa tenha maior possibilidade de escolha, não só para comprar o que deseja, mas também para sair de situações de violência dentro do trabalho ou em relacionamentos.

Para Cavenaghi, “conversas difíceis” sobre dinheiro precisam acontecer. “Muitas vezes, as pessoas evitam abrir a vida financeira e sentar com o parceiro ou a parceira para olhar a planilha e discutir números, mas esse diálogo é necessário”, destaca.

Já Junco recomenda cautela ao estabelecer combinados informais dentro de um relacionamento. Segundo ela, é fundamental que exista planejamento financeiro também para quem se dedica à chamada economia do cuidado, que envolve atividades não remuneradas, mas essenciais, como o cuidado com crianças e a gestão do lar. “É importante definir como o dinheiro será distribuído: uma parte pode ser destinada à economia doméstica e outra à economia do cuidado”, afirma.

Os primeiros passos para conseguir autonomia financeira

A CEO da B2Mamy orienta que, em um primeiro momento, as mulheres busquem comunidades e espaços de troca para falar sobre dinheiro. Depois, o passo seguinte é o autoconhecimento, entender o que se deseja naquele momento de vida, e ter cuidado ao medir o próprio sucesso. “O sucesso precisa ser definido a partir das próprias conquistas. É importante parar de medir resultados pela régua dos homens”, afirma.

Já Cavenaghi defende que o cuidado com as finanças deve incluir o apoio de profissionais especializados. “Buscamos profissionais para lidar com questões de saúde, então por que não fazemos isso com nossas finanças? É preciso conhecer os próprios números, contar com orientação qualificada e enxergar esse pilar como um pilar de saúde também”, diz.

Para as empresas, ela destaca a importância de adotar uma comunicação mais conectada à realidade feminina. Segundo Cavenaghi, o mercado financeiro ainda tem um papel relevante a cumprir na construção de uma linguagem mais acessível e capaz de dialogar de forma efetiva com o público feminino.




Publicado originalmente em https://einvestidor.estadao.com.br/videos/dani-junco-carolina-cavenaghi-autonomia-financeira-mulheres/

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