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O investimento em capital imobiliário deve se manter ou aumentar na América Latina em 2026

Um panorama do setor na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica e México

Autor: Funds Society


“O sentimento em relação aos investimentos imobiliários na América Latina permanece construtivo no início de 2026, com os investidores mantendo ou aumentando moderadamente seus níveis de atividade . Essas intenções refletem uma postura equilibrada, caracterizada por uma execução cautelosa e alocação seletiva de capital em meio a um ambiente macroeconômico mais normalizado”, afirmou  Lyman Daniels, presidente da CBRE México, Colômbia e América Central

As estratégias Core e Core Plus (ativos imobiliários de alta qualidade e estabilidade) continuam atraindo interesse significativo, ressaltando uma preferência por estabilidade de renda e menor volatilidade em meio a um ambiente macroeconômico e financeiro incerto

Os setores de galpões industriais e de logística continuam se destacando como os principais segmentos de investimento imobiliário na América Latina, mas outros setores, incluindo  multifamiliar, escritórios, varejo e hotéis, mantêm um papel significativo na composição da alocação, contribuindo para um cenário setorial diversificado e estruturado, de acordo com um relatório da CBRE.

O CBRE Group, empresa com sede em Dallas e a maior companhia do mundo em serviços e investimentos imobiliários comerciais, acaba de divulgar sua Pesquisa de Sentimento de Investimento na América Latina referente ao final de janeiro de 2026, um estudo que reflete as expectativas dos investidores na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica e México entre 10 de novembro e 10 de dezembro de 2025.

“O sentimento em relação aos investimentos imobiliários na América Latina permanece construtivo no início de 2026, com os investidores mantendo ou aumentando moderadamente seus níveis de atividade. Essas intenções refletem uma postura equilibrada, caracterizada por uma execução cautelosa e alocação seletiva de capital em meio a um ambiente macroeconômico mais normalizado”, afirmou Lyman Daniels, presidente da CBRE México, Colômbia e América Central.

As estratégias de investimento refletem um perfil de risco equilibrado, com preferências que variam de abordagens Core (ativos imobiliários estáveis ​​e de alta qualidade) a  value-add (valor agregado) e oportunistas. Essa diversificação destaca a flexibilidade nos estilos de execução, alinhados às oportunidades em nível de ativo e às condições variáveis ​​do mercado na América Latina.

O interesse dos investidores permanece concentrado em mercados metropolitanos consolidados e submercados-chave por país, reforçando a importância da escala, da liquidez e do histórico de desempenho. As taxas de capitalização (cap rates) em toda a região sugerem um ambiente de preços estável, com a diferenciação impulsionada principalmente pelas características do país e do ativo, e não pela volatilidade generalizada do mercado.

  1. O sentimento do investidor na América Latina

Intenções para 2026

As intenções de investimento variam entre os mercados, mantendo-se amplamente construtivas:

  • Argentina: A atividade de compra é mais seletiva e está estreitamente ligada ao posicionamento oportunista, enquanto as intenções de venda permanecem moderadas.
  • Brasil: Demonstra disposição para aumentar a atividade de compra, respaldada por um enfoque seletivo guiado pela qualidade.
  • Chile: As intenções refletem maior confiança e um retorno às estratégias de aquisição dentro de um quadro institucional estável.
  • Colômbia: Apresenta uma participação de mercado equilibrada, com expectativas tanto de compra quanto de venda, o que sugere uma atividade moderada.
  • México: O sentimento dos investidores aponta para um interesse contínuo em aquisições, particularmente em setores preferenciais como o industrial e o de logística.

De forma geral, as expectativas de compra e venda sugerem uma participação de mercado equilibrada em toda a região.

  1. Destinos de investimento

Submercados de investimento preferenciais por país

Em diversos países, a alocação de capital continua favorecendo as principais áreas metropolitanas e regiões urbanas primárias, reforçando o papel das cidades centrais como âncoras da atividade de investimento.

  • Chile: Continua priorizando Santiago, atraindo investidores em busca de ativos core e estáveis.
  • Colômbia: O país observa um crescente interesse de investimentos concentrados em seus principais centros urbanos, Bogotá e Medellín.
  • México: Apresenta uma preferência mais diversificada, mas ainda orientada para as metrópoles, destacando  a Cidade do México e centros industriais-chave (Monterrey, Tijuana, Querétaro).
  • Argentina: O interesse concentra-se na logística ao longo da rodovia Caminho de Buen Ayre e no setor de escritórios na Av. Libertador CABA, impulsionado pela necessidade de infraestrutura moderna e espaços corporativos de alta qualidade em Buenos Aires.
  • Brasil: Demonstra uma clara ênfase em São Paulo e sua região metropolitana, onde há um crescente interesse em imóveis comerciais e hotéis/resorts.

De forma geral, a perspectiva para 2026 aponta para uma concentração contínua em mercados maduros com fundamentos imobiliários consolidados.

  1. Estratégias Imobiliárias

Estratégias de investimento preferidas

As preferências dos investidores na América Latina refletem uma abordagem diversificada em todo o espectro de risco, combinando um posicionamento defensivo com um apetite seletivo por estratégias de maior risco. As estratégias Core e Core Plus (ativos imobiliários estáveis ​​e de alta qualidade) continuam a atrair interesse significativo, evidenciando uma preferência por estabilidade de renda e menor volatilidade em meio a um ambiente macroeconômico e financeiro incerto.

Ao mesmo tempo, o interesse significativo em estratégias oportunistas e de valor agregado (value-add) aponta para uma disposição dos investidores em assumir seletivamente maiores riscos em busca de retornos mais elevados. Esse equilíbrio sugere que os investidores não estão abandonando o risco por completo, mas sim calibrando suas estratégias com base em preços, condições de financiamento e oportunidades específicas de ativos, mantendo, ao mesmo tempo, uma disciplina na alocação de capital na região.

Preferências por setor

As preferências dos investidores demonstram uma clara concentração nos setores industrial e logístico,  posicionando-os como a principal área de interesse. Esse padrão regional evidencia um foco comum em setores associados às atividades de produção e distribuição, que constituem o núcleo das atuais alocações imobiliárias.

  • Colômbia: Demonstra crescente interesse no setor de logística, impulsionado pela expansão do comércio eletrônico e pela melhoria da infraestrutura.
  • México: Demonstra forte preferência por ativos industriais, logísticos e de escritórios, com um sentimento positivo impulsionado pelo acordo comercial USMCA (T-MEC).
  • Argentina: Apresenta uma preferência setorial mais seletiva, intimamente associada à exposição oportunista.
  • Brasil: O setor industrial e logístico continua sendo o foco principal, enquanto escritórios e hotéis/resorts estão ganhando relevância.
  • Chile: Focado principalmente em ativos core de escritórios e logística, buscando estabilidade e segurança.
  1. Estratégias de Mercado de Capitais

As taxas de capitalização (cap rates) refletem um ambiente de preços amplamente estável, com clara diferenciação por mercado e perfil de ativo. A região apresenta faixas definidas de cap rates, indicando uma análise de crédito disciplinada e expectativas de retorno consistentes em todos os principais tipos de imóveis.

Nesse contexto regional, mercados maiores e mais líquidos, como o México e o Chile, apresentam faixas mais contidas, enquanto a Argentina e a Colômbia mostram margens mais amplas, refletindo as condições de mercado locais e a variabilidade dos ativos. De modo geral, os níveis atuais de cap rates apontam para um ambiente normalizado, no qual a dispersão de preços é impulsionada pelos fundamentos de cada país, e não por mudanças abruptas do mercado.

Publicado originalmente em https://www.fundssociety.com/br/news/o-investimento-em-capital-imobiliario-deve-se-manter-ou-aumentar-na-america-latina-em-2026

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