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Renda fixa e crédito privado: relatório mensal (03/2026)

O BB-BI analisa os principais indicadores que impactam as decisões de investimento em renda fixa e crédito privado.

Panorama de Renda Fixa e Crédito Privado

Em fevereiro, a divulgação do CPI de janeiro nos EUA consolidou a leitura de desaceleração da inflação. Além disso, os dados indicaram um mercado de trabalho resiliente, porém menos aquecido, com crescimento salarial mais contido. Os treasuries apresentaram queda nos prazos intermediários, à medida que o mercado passou a precificar cortes graduais ao longo do segundo semestre de 2026, e manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75% na reunião de março do Fed. No Brasil, as projeções do Boletim Focus mostraram reduções consecutivas nas projeções do IPCA para 2026, em torno de 3,9%, dentro do intervalo da meta, reforçando o cenário de maior ancoragem de expectativas de inflação, que se iniciou no final do ano passado, e da perspectiva pelo início do ciclo de cortes a partir de março. Esse conjunto de fatores levou a um fechamento relevante da parte curta e intermediária da curva de juros futuros, enquanto os vencimentos mais longos apresentaram queda mais moderada, ainda condicionados às incertezas fiscais e ao prêmio de risco estrutural de longo prazo no país.

Conflitos no Oriente Médio: desde o início da escalada dos conflitos, intensificada no final do mês de fevereiro, com ataques diretos envolvendo EUA e Irã, os mercados globais passaram a precificar maior aversão a risco: o petróleo subiu de forma relevante, assim como o ouro e o dólar, considerados ativos defensivos em momentos de maior volatilidade, o que também se aplica aos treasuries. No entanto, os temores inflacionários de curto prazo, em razão de maiores preços de petróleo, resultaram em elevação dos vencimentos mais curtos dos treasuries – mais sensíveis à decisões de política monetária – embora toda a curva tenha sido reprecificada para cima. No Brasil, as expectativas em relação ao ciclo de corte da Selic se ajustaram, com maior cautela em relação aos possíveis efeitos do dólar mais apreciado na inflação doméstica. Embora o cenário base ainda contemple o início da queda de juros em março, a curva DI futuro apresentou abertura de vencimentos mais longos e menor fechamento na parte curta, indicando um possível corte de 25 bps, na comparação com o que havia sido precificado ao longo do mês de fevereiro (corte de 50 bps), e taxa terminal, para dez/26, mais elevada.

No mercado de crédito privado, houve elevação de spreads calculados pelo Idex-Infra, após o forte fechamento que ocorreu no mês de janeiro. As maiores aberturas de prêmios concentraram-se nos ativos da Raízen, diante da piora da percepção do risco de crédito da companhia. Apesar deste caso pontual, na média, a dinâmica dos spreads deve continuar refletindo a alta demanda (especialmente dos fundos de investimento de crédito privado). O mercado de capitais segue em ritmo forte, com captação de quase R$ 60 bilhões no mês de janeiro, maior volume para o mês na série histórica, segundo a , e amplo destaque para as emissões de renda fixa, que somaram R$ 46 bilhões (+13,4% a/a.).

Publicado originalmente em https://investalk.bb.com.br/noticias/mercado/renda-fixa-credito-privado-mar26

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