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Renda fixa e crédito privado: relatório mensal (04/2026)

O BB-BI analisa os principais indicadores que impactam as decisões de investimento em renda fixa e crédito privado.

Panorama de Renda Fixa e Crédito Privado

O mês de março foi marcado por forte deterioração do cenário externo, em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, com impactos diretos sobre a precificação dos ativos. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a movimentos extremos – com o Brent chegando a superar os US$ 120 – elevando significativamente os riscos inflacionários globais. Esse choque de oferta provocou reprecificação dos juros internacionais, com maior volatilidade nos yields dos Treasuries e redução das apostas de cortes pelo Fed em 2026, especialmente nos períodos de maior aversão a risco. Embora sinais de cessar-fogo e/ou avanço diplomático tenham gerado alívios pontuais, com correção do petróleo e fechamento das curvas globais, o ambiente permaneceu marcado por elevada incerteza e sensibilidade ao noticiário geopolítico.

No Brasil, os efeitos do choque externo se refletiram principalmente via alta do petróleo e do câmbio, pressionando as expectativas de inflação e alterando de forma relevante a precificação dos juros futuros. A curva de juros nominais e reais doméstica apresentou forte volatilidade, com movimentos expressivos de abertura em momentos de estresse – sobretudo nos vértices intermediários e longos – e redução gradual das apostas de corte da Selic, que migraram de uma perspectiva de flexibilização mais intensa para uma visão majoritária de ajustes mais graduais. Neste contexto, o Copom promoveu, em linha com as expectativas de mercado, o primeiro corte na taxa Selic desde maio de 2024, reduzindo a taxa em 25 bps, de 15,00% para 14,75% a.a., reforçando em seu discurso uma postura cautelosa diante de um cenário ainda desafiador.

No mercado de crédito privado, observamos aumento da aversão ao risco, maior seletividade e pressão sobre os spreads, em um movimento influenciado tanto por eventos de crédito relevantes para a indústria – notadamente os pedidos de recuperação extrajudicial de Raízen e GPA – quanto pela combinação de abertura da curva soberana e elevação do custo de carrego. Os spreads medidos pelo IDEX mantiveram trajetória de alta em março, tanto para papéis atrelados ao IPCA quanto para o CDI, reforçando a leitura de maior volatilidade da curva de crédito. As maiores aberturas de prêmios no mês dentro do IDEX Infra concentraram-se nos ativos da Ligga Telecomunicações (CPTM51), Brasil Tecpar (TEPA11) e Enel (ELPLA7) – vale destacar que os papéis das Raízen deixaram de compor a amostra do índice a partir de 12/mar. Já o mercado de capitais apresentou desaceleração nas ofertas primárias de renda fixa, com captação de ~R$ 37 bilhões em fevereiro, retração de ~17% em comparação com o mesmo mês de 2025, segundo a Anbima, em movimento que sinaliza um compasso de espera dos emissores em um ambiente marcado por assimetria de riscos.

 

Publicado originalmente em https://investalk.bb.com.br/noticias/mercado/renda-fixa-credito-privado-abr26

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