Pular para o conteúdo principal

Guia definitivo do Tesouro Direto: compare Tesouro Reserva, Selic, IPCA+ e Prefixado para escolher o melhor título

 

Novo título surge como opção para reserva de emergência e está disponível para aplicações a partir de R$ 1

Tesouro Reserva estreou em março e ampliou rol de títulos do Tesouro Direto. Foto: Adobe Stock
Tesouro Reserva estreou em março e ampliou rol de títulos do Tesouro Direto. Foto: Adobe Stock

O produto lançado recentemente inicialmente está disponível para a base de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil (BBAS3), parceiro no projeto. Outras instituições estão em fase de testes e devem ofertar o papel em breve.

O Tesouro Reserva aceitará aportes a partir de R$ 1, valor mais acessível do que outros títulos do Tesouro, que podem demandar investimentos mínimos acima de R$ 189. Todo resgate no novo papel também precisa ser de pelo menos R$ 1. Existe ainda um limite máximo de aplicação de R$ 500 mil por mês.

O título tem vencimento de dez anos. Em termos de tributação, o Imposto de Renda (IR) segue a tabela regressiva, que varia de 22,5% a 15% conforme o tempo de investimento. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), por sua vez, só incide se o resgate ocorrer nos primeiros 30 dias.

Assim como acontece com o Tesouro Selic, o Tesouro Reserva tem isenção da taxa de custódia da B3 para valores de até R$ 10 mil investidos. Acima disso, a taxa aplicada é de 0,2% ao ano.

Tesouro Reserva deve disputar espaço com “caixinhas” e poupança

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, explica que o Tesouro Reserva está voltado à reserva de emergência. “A vantagem de funcionar 24 horas e todos dias, com aplicação acessível, a partir de R$ 1, vem para desbancar a poupança e as caixinhas”, diz.

As chamadas “caixinhas”, “cofrinhos” ou “porquinhos” são opções de renda fixa apresentadas ao público com uma roupagem mais didática. Um estudo do Google mostrou que as ferramentas ganharam popularidade nos últimos dois anos, com as buscas por termos relacionados ao tema crescendo 297% no período.

Apesar de ofertarem rentabilidade que pode chegar a 130% do CDI, as “caixinhas” não têm a mesma segurança do Tesouro, já que, na maior parte dos casos, dependem da proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto os títulos públicos são garantidos pelo governo federal.

Já a poupança tem retorno menor do que o do Tesouro Reserva. A caderneta oferece rentabilidade de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais o pagamento da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central (BC), quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como ocorre agora.

Tesouro Reserva versus Tesouro Selic: as principais diferenças

O Tesouro Reserva e o Tesouro Selic têm finalidades similares, direcionadas para a construção da reserva de emergência – dinheiro que precisa estar sempre disponível, seja para uma questão médica ou para um imprevisto, como um problema com o carro.

Segundo Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, as principais diferenças estão no horário de negociação e na marcação a mercado. Enquanto o Tesouro Reserva opera 24/7, as aplicações e os resgates no Tesouro Selic podem ser feitos em dias úteis, das 9h30 às 18h, com os preços e taxas definidos no momento da transação.

Publicidade

O Tesouro Selic sofre com os efeitos da marcação a mercado – ou seja, o rendimento pode oscilar conforme o movimento da curva de juros. O impacto, no entanto, é menor do que o percebido nos títulos prefixados ou indexados à inflação. No Tesouro Reserva, essa variação não existe. Em contrapartida, o título oferece uma rentabilidade inferior à do Tesouro Selic, que paga a taxa Selic acrescida de um rendimento adicional, atualmente de 0,0816% ao ano.

“Apesar das diferenças, os dois títulos servem ao mesmo propósito: controlar o risco da carteira do investidor. É onde ele deve investir aquele dinheiro que não pode perder de jeito nenhum”, destaca Marília Fontes.

O guia do Tesouro Direto

No Tesouro Direto, há opções para diferentes perfis e objetivos financeiros. Na própria plataforma do programa, o investidor pode simular as melhores alternativas para cada meta. “Não existe título perfeito, existe o título certo para o momento certo”, diz Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos

As características dos títulos do Tesouro Direto

Use the column header buttons to sort columns by ascending or descending orderCurrently not sorted

Tesouro Reserva

Selic, sem rendimento adicional

Não sofre

24 horas por dia, 7 dias por semana

R$ 1

Isenta até R$ 10 mil; acima disso, 0,2% ao ano

Tesouro Selic

Selic + taxa adicional (atualmente 0,0816% ao ano)

Sofre, mas menos que outros títulos

Dias úteis, das 9h30 às 18h

Variável

Isenta até R$ 10 mil; acima disso, 0,2% ao ano

Tesouro IPCA+

IPCA + taxa adicional

Sofre

Dias úteis, das 9h30 às 18h

Variável

0,2% ao ano

Tesouro Prefixado

Taxa fixa definida na compra

Sofre

Dias úteis, das 9h30 às 18h

Variável

0,2% ao ano

Tesouro Renda+

IPCA + taxa adicional

Sofre

Dias úteis, das 9h30 às 18h

Variável

Isenta no vencimento para parcelas de até seis salários mínimos; cobrança regressiva em resgates antecipados

Tesouro Educa+

IPCA + taxa adicional

Sofre

Dias úteis, das 9h30 às 18h

Variável

Isenta no vencimento para parcelas de até quatro salários mínimos; cobrança regressiva em resgates antecipados

Tesouro IPCA+

Para Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, a principal vantagem do Tesouro IPCA+ é oferecer o ganho real – valor conquistado acima da inflação. Atualmente, esse retorno está historicamente elevado, no nível de 7,73% para o título com vencimento em 2032.

Por outro lado, o risco está na marcação a mercado. Se o investidor precisar vender antecipadamente o Tesouro IPCA+, ele pode ter um prejuízo. “O risco é travar uma taxa agora, de IPCA + 7%, por exemplo, e a curva de juros abrir, com títulos passando a oferecer IPCA + 8% ou IPCA + 9%”, explica Almeida.

Tesouro Prefixado

A principal vantagem aqui está na previsibilidade: o investidor sabe exatamente quanto vai receber se carregar o título até o vencimento. Mas o Tesouro Prefixado também sofre com a marcação a mercado. Em caso de venda antecipada, o investidor pode ter perdas caso os juros subam, mas também pode obter ganhos se a curva de juros fechar.

Outra desvantagem seria uma eventual surpresa inflacionária. “Se a inflação estiver mais elevada, isso corrói o poder de compra da rentabilidade entregue pelo prefixado, travada no ato da contratação”, afirma Almeida.

Tesouro Renda+

Criado em 2023, o Renda+ tem duas fases. Na primeira, o investidor faz os aportes no título. Na segunda, ele começa a receber de volta o montante aplicado ao longo dos anos, acrescido dos juros e corrigido pela inflação. Todo o valor é pago ao longo de vinte anos, em 240 parcelas mensais.

A taxa de custódia fica isenta para quem mantiver os títulos até o vencimento. O pagamento só acontece em duas situações: quando os títulos são vendidos antes do prazo ou, no momento da conversão em renda, se o valor das parcelas mensais superar seis salários mínimos. Nesse caso, incide uma taxa de 0,1% ao ano apenas sobre o que exceder esse limite.

Caso o investidor decida resgatar a aplicação antes da data de vencimento, a taxa de custódia sobre o valor escolhido será regressiva:

  • Resgate de 0 a 10 anos: 0,5% ao ano;
  • Resgate de 10 a 20 anos: 0,2% ao ano;
  • Acima de 20 anos: 0,10% ao ano.

Patzlaff, planejador financeiro, explica que o título está direcionado para o planejamento da aposentadoria, numa espécie de previdência privada gerida pelo Tesouro. O investidor acumula hoje para garantir que, no futuro, vai receber uma renda mensal corrigida pela inflação.

O risco é a falta de flexibilidade. “Se acontecer um imprevisto muito grande e o investidor precisar sacar todo o valor acumulado de uma vez, antes do vencimento, vai sofrer com a mesma oscilação de preços do Tesouro IPCA+”, diz o planejador.

Tesouro Educa+

O Tesouro Educa+ funciona de forma parecida com o Renda+, mas é direcionado ao planejamento financeiro para o ensino superior. O Educa+ tem um período de cinco anos de pagamentos mensais após o período de acumulação, enquanto o Renda+ tem vinte anos de pagamentos mensais. Além disso, os vencimentos do Educa+ são mais curtos.

A taxa de custódia da B3 fica isenta para investidores que não realizarem resgates antecipados. Essa isenção vale para todos os valores de renda mensal de até quatro salários mínimos. Valores que ultrapassam os quatro salários mínimos pagam taxa de custódia de 0,10% ao ano, mas somente sobre o que exceder esse teto.

Em caso de resgate antes do vencimento, a taxa será regressiva sobre o valor resgatado:

  • Resgate de 0 a 7 anos: 0,5% ao ano;
  • Resgate de 7 a 14 anos: 0,2% ao ano;
  • Acima de 14 anos: 0,10% ao ano.

Segundo Patzlaff, o Tesouro Educa+ trava a alta do custo da educação e preserva o poder de compra para os estudos. O risco está na mudança de planos: o jovem pode decidir não ir para a faculdade, ganhar uma bolsa integral ou abrir um negócio, por exemplo. “Ele ainda vai receber o dinheiro parcelado por cinco anos ou terá que sacar tudo de uma vez, assumindo o risco da oscilação do mercado no dia do resgate”, diz.

Vantagens e desvantagens dos títulos do Tesouro Direto

Use the column header buttons to sort columns by ascending or descending orderCurrently not sorted

Liquidez 24/7, sem risco de marcação a mercado, rendimento maior que a poupança

Rentabilidade menor que o Tesouro Selic; só está disponível, por enquanto, para clientes do Banco do Brasil

Alta liquidez, baixo risco de marcação a mercado, rendimento maior que a poupança

Não tem liquidez 24/7, sofre oscilações por marcação a mercado, ainda que pequenas

Garante ganho acima da inflação

Pode gerar prejuízo em resgates antecipados

Investidor sabe quanto receberá no vencimento

Pode gerar prejuízo em resgates antecipados ou ter rentabilidade comprometida por inflação elevada

Funciona como renda mensal futura para aposentadoria por 20 anos

Pode gerar prejuízo em resgates antecipados

Ajuda a preservar poder de compra para estudos

Pode gerar prejuízo em resgates antecipados

Made with Flourish • Create a table

Publicado originalmente em https://einvestidor.estadao.com.br/investimentos/guia-tesouro-direto-qual-titulo-escolher-reserva-selic-ipca-prefixado-renda-educa/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Veja 5 tendências da previdência privada que devem ganhar força em 2026

Veja 5 tendências da previdência privada que devem ganhar força em 2026 O mercado de previdência privada aberta desacelerou em 2025, impactado principalmente pela cobrança de 5% de IOF em aportes acima de R$ 300 mil por seguradora nos planos do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) a partir da metade do ano. Segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que representa as empresas que operam no ramo, como resultado, de janeiro a novembro de 2025 o setor arrecadou 142 bilhões – queda de 19,6% em relação a 2024, ou seja, R$ 36,5 bilhões a menos. Enquanto os aportes diminuíram, os resgates (dinheiro sacado pelos participantes) subiram 13,9%, para R$ 140 bilhões. Por outro lado, regras mais rígidas, expectativa de benefícios menores e um ambiente econômico que exige mais organização torna mais difícil para quem deseja uma aposentadoria confortável contar apenas com o INSS. Nesse cenário, a previdência privada ainda segue como uma das alternativas mais seg...

Não é só CDB: veja lista de todos os investimentos protegidos pelo FGC

  As liquidações extrajudiciais de diferentes empresas financeiras em decorrência de investigações da Polícia Federal levaram milhares de investidores  a buscarem nas últimas semanas a segurança do Fundo Garantidor de Crédito  (FGC), que funciona como uma espécie de seguro para investimentos de renda fixa. Apesar de grande parte das aplicações reembolsadas serem CDBs (Certificados de Depósitos Bancários),  o FGC protege  também LCIs (Letras de Créditos Imobiliários), LCAs (Letras de Créditos do Agronegócio), Letras de Câmbio e RDBs (Recibo de Depósito Bancário). Também ficam assegurados os valores em conta salário, corrente e poupança. No entanto, o fundo não protege todos os investimentos de renda fixa.  Ficam de fora  CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), debêntures e fundos de investimentos. Também  não há cobertura  para os títulos públicos do Tesouro Direto, que no entanto conta...

Planejamento financeiro ajuda a evitar dívidas no início do ano

Banco de imagem Para evitar gastos descontrolados, organizar as despesas pode ser a melhor alternativa Despesas acumuladas de dezembro, impostos como Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), material escolar e contas de energia mais altas costumam apertar o orçamento das famílias no início do ano. Para enfrentar esse cenário e evitar o endividamento, os especialistas em educação financeira da Viacredi orientam que o planejamento é o principal aliado. A primeira orientação é simples e pode salvar o orçamento: anotar todas as despesas. De acordo com César Rozanski, coordenador de Crédito da Viacredi, esse é um dos primeiros exercícios da educação financeira: criar consciência sobre os próprios gastos. Por isso, o mapeamento detalhado dos gastos ajuda a visualizar compromissos financeiros, entender para onde o dinheiro está indo e definir prioridades de pagamento. “Com as contas devidamente anotadas, é po...