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Inadimplência e juros altos pressionam fundos de crédito

 

Inflação persistente e resgates bilionários impactam desempenho das carteiras



Os fundos de crédito, uma categoria dentro da renda fixa que investe em títulos de dívida de empresas, voltaram ao radar dos investidores em meio a juros elevados e aumento do risco corporativo. 

Apesar de serem vistos como alternativas mais seguras, esses fundos vêm registrando volatilidade e perdas recentes. 

“Nesse cenário de inflação e juros mais altos, muitas empresas se alavancaram apostando em crédito mais barato, que não veio. Agora os problemas começam a aparecer, como nos casos da Raízen, GPA e Braskem e isso impacta diretamente os fundos de crédito”, afirma Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro.

Nos últimos meses, investidores migraram da bolsa para a renda fixa em busca de segurança, mas muitos acabaram em fundos de crédito sem avaliar os riscos. O resultado foi uma sequência de perdas nas cotas, pressionadas pela chamada marcação a mercado. 

Com a alta dos juros, títulos já emitidos perdem valor, o que afeta o desempenho dos fundos. 

“O investidor que buscava um produto mais tranquilo e seguro, agora vê prejuízo. Só nas últimas três semanas, os resgates somam cerca de R$ 12 bilhões”, destaca a apresentadora.

Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, observa que a percepção sobre renda fixa ainda é simplificada. 

“Renda fixa não é só CDI, Tesouro Selic ou CDB. Fundo de renda fixa pode ter volatilidade e o investidor pode perder dinheiro se não entender onde está entrando”, alerta.

Segundo Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, o cenário tende a permanecer incerto.

“O mercado ainda tenta entender até quando os juros permanecem altos e quais serão os impactos do conflito no Oriente Médio na inflação. Além disso, teremos eleições neste ano, o que aumenta a pressão política sobre o Banco Central e adiciona volatilidade”, analisa Pascowitch. 

Outro ponto de atenção é o nível atual de remuneração desses fundos. De acordo com Marilia, os spreads do crédito privado estão nas mínimas históricas, o que enfraquece a relação entre risco e retorno. 

“A tendência é de mais empresas em dificuldade, o que pressiona os fundos. A pergunta é: vale correr mais risco para ganhar menos?”, questiona. 

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

Publicado originalmente em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/inadimplencia-e-juros-altos-pressionam-fundos-de-credito/

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