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Copom corta Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25%: como ficam os investimentos?



Por Gustavo Boldrini e Eduardo Puccioni, da Broadcast

O Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu ontem um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), levando-a para 14,25% ao ano. O movimento já era amplamente esperado pelo mercado, mas o que está em jogo agora são as futuras decisões do Banco Central: será que o ciclo de cortes está acabando ou vai continuar? E, neste cenário, como ficam os investimentos?

O Copom vai continuar cortando os juros?

O comunicado de ontem do Copom trouxe algumas alterações, conforme observado por analistas. A principal delas diz respeito ao horizonte relevante de inflação, ou seja, a data que o BC leva em conta para buscar atingir a meta de IPCA de 3% com sua política monetária. Esse período passou do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028.

A medida, que é permitida pelo regime atual de meta contínua de inflação, pode dar ao BC espaço para ter mais flexibilidade na condução dos juros, sem a necessidade de interromper os cortes de forma brusca, segundo a avaliação de especialistas.

A consultoria Capital Economics apontou que o BC "adicionou vários novos parágrafos" que "parecem projetados para justificar a decisão de cortar as taxas hoje" e para "manter a porta aberta" a mais reduções da Selic à frente.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o BC faz uso de uma flexibilidade permitida pelo atual regime de meta contínua da inflação. "Quando muda o horizonte de tempo relevante e a inflação fica mais próxima de 3%, mantém a possibilidade de queda dos juros", afirmou.

Ou seja, ainda há a possibilidade de mais reduções da taxa Selic à frente, mas o ambiente segue de cautela, avalia Vinicius Zanchi, especialista em assessoramento econômico do Banco do Brasil.

"O Copom está vendo uma pressão inflacionária importante, e suas projeções de inflação seguem se elevando, e isso é uma mensagem clara que ele não está nem um pouco confortável com esse cenário, olhando para próximas decisões", apontou.

Como ficam os investimentos após a decisão do Copom?

O cenário incerto volta a abrir oportunidades de alocação e diversificação na renda fixa, apontam especialistas.

"As taxas estão muito boas, ontem de tarde a curva de juros chegou a estressar e pagar títulos com IPCA + 8,42%, algo que historicamente não acontece sempre", avalia Laís Reis, estrategista de investimentos do BB. Ela ressalta, no entanto, que comprar esses títulos de alta rentabilidade visando o curto prazo pode não ser uma boa estratégia.

Afinal, a renda pode ser fixa, mas seu preço varia na marcação a mercado, e quem precisar retirar o dinheiro investido antes do vencimento pode sofrer perdas, conforme o cenário vá ficando menos turbulento ao longo dos próximos meses.

"Para quem quer investir num panorama de tempo maior, de longo prazo, as taxas dos títulos IPCA+ e prefixados estão muito interessantes. Se for para investir e usar o dinheiro nos próximos 12 meses, o ideal é seguir no pós-fixado, não entrar em mais risco", recomenda a estrategista do BB.

A visão é corroborada por Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank. Para ele, numa visão de curto prazo, "o pós-fixado é o que tem o menor risco e retornos altos, ao contrário do prefixado, que tem bastante volatilidade, e que no cenário pré-eleitoral e com o ambiente geopolítico ainda cheio de risco, não se torna tão atrativo", afirma.

Ainda vale a pena investir na Bolsa?

Na renda variável, o cenário externo merece atenção, uma vez que as bolsas americanas voltaram a atrair forte fluxo de capital, em especial devido aos resultados positivas de gigantes da inteligência artificial, como a Nvidia, e a bem sucedida abertura de capital da SpaceX.

Com isso, houve uma redução no nível de recursos que estavam se direcionando a mercados emergentes, como o Brasil, o que levou o Ibovespa a cair mais de 7% em maio e recuar mais de 3% em junho até aqui, afastando-se dos recordes atingidos em abril.

Laís Reis, estrategista do BB, avalia que a baixa recente da Bolsa brasileira abriu espaço para entrada, mas ressalta a importância de buscar também ativos externos como forma de diversificação.

"O movimento de inovação que se vê nos EUA é difícil de precificar, ninguém sabe onde vai parar. É algo importante de ter no portfólio para diversificação, no limite de tolerância a risco que você aguenta, mas também é importante estar na Bolsa local. Muita gente não estava posicionada em Ibovespa durante o último recorde perdeu o movimento", afirma.

Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o momento ainda é de cautela para o mercado de renda variável, dado o cenário de expectativa de inflação desenquadrada que vem sendo alertado pelo BC nas últimas reuniões. No entanto, avaliando os possíveis impactos da decisão de ontem do Copom, ele ressalta que "todo corte de juros acaba beneficiando os ativos de Bolsa".

  • O operador de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno, tem uma visão otimista sobre os impactos do corte da Selic na Bolsa, destacando que o valuation das empresas a valor presente fica mais atrativo ao se descontar a taxa de juros menor. Com isso, "o valor presente da ação tende a ser mais alto", diz.

Moliterno ressalta ainda que o possível fim da guerra no Oriente Médio com a assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, atrelado aos juros caindo, "gera um impacto bastante positivo para o mercado de renda variável".

Publicado originalmente em https://investalk.bb.com.br/noticias/economia/copom-corta-selic-em-025-ponto-porcentual-para-1425-como-ficam-os-investimentos

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