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O básico bem-feito: 4 ETFs que podem fazer mais pelo seu bolso do que fundos tradicionais

 

Em dez anos, o volume investido em ETFs cresceu mais de 31 vezes na B3. Ilustração: João Brito


Os ETFs caíram no gosto do investidor brasileiro. Em dois anos, o patrimônio aplicado nesses fundos quase triplicou. Por trás do avanço está a praticidade: ETFs espalham seu dinheiro por dezenas (ou centenas) de ativos, a preços mais baixos do que fundos normais.

“Com cerca de quatro ETFs, dá para montar uma carteira extremamente robusta, diversificada e com baixo custo”, afirma Andrés Kikuchi, diretor de investimentos da Nu Asset.

A combinação pode incluir ETFs de títulos públicos, de ações brasileiras e de ativos internacionais. Cada um dá acesso a uma classe ou estratégia e funciona como um “bloco de construção” – o peso de cada um você ajusta de acordo com o seu perfil.

Mãos à obra.

Um ETF de títulos pós-fixados

O ponto de partida são os ETFs de renda fixa pós-fixada, que concorrem com o Tesouro Selic e os fundos DI. Entre as opções estão o CDIB11, da Itaú Asset; o LFTB11, da Investo; e o POSB11, da Galapagos Capital.

A vantagem sobre os fundos DI é a ausência de come-cotas – uma antecipação do imposto de renda que reduz o poder multiplicador dos juros compostos.

Sobre o Tesouro Selic, a vantagem é tributária. Lá, o IR em cima do rendimento só cai a 15% depois de dois anos. Num ETF desse tipo, ela já é 15% de saída.

Também ajuda a ausência de IOF – o imposto que começa em 96% do rendimento no primeiro dia e só cai a zero no 30º. Ou seja: depositou, dá para tirar em alguns dias com o rendimento cheio.

Mas cuidado: os ETFs compostos exclusivamente por LTFs (Letras Financeiras do Tesouro) – os títulos Tesouro Selic –, são tributados em 25%. Aí a vantagem tributária da ausência de come cotas e IOF acaba diluída. Então vale checar sempre qual é a tributação de um ETF de renda fixa pós.

Os que citamos aqui não são “LFT puro”, então cobram só 15%. É que esses fundos mantêm até 10% da carteira em títulos públicos atrelados à inflação (IPCA+) para escapar do IR mais alto.

“Por isso eles têm um pouquinho mais de risco, mas que acaba compensado pela eficiência tributária”, diz João Arthur Almeida, diretor de investimentos da Suno Research. “Eles são alternativas para caixa ou para reserva de emergência”.

Um ETF de títulos IPCA+

A renda fixa é uma moeda de duas faces. Uma é a óbvia, a do pós-fixado: quando a Selic sobe ela rende mais. Só que tem outra renda fixa: a que dá mais dinheiro quando os juros caem.

Por isso, faz sentido ter uma parte da carteira em IPCA+, os títulos de inflação – que se comportam dessa forma.

E dá para ter esses títulos usando a fórmula desta reportagem, a de uma carteira só com ETFs. Uma alternativa é o IMAB11, da Itaú Asset, que acompanha uma cesta ampla de títulos públicos indexados à inflação.

Mas cuidado: os títulos IPCA+ protegem contra a inflação, já que remuneram o IPCA mais uma taxa extra. Isso só vale, porém, para quem segura até o vencimento.

Num ETF, não existe “segurar até o vencimento”. O saldo flutua ao sabor do preço de mercado dos títulos – que sobe quando a perspectiva é de uma Selic mais alta e cai quando rola o contrário.

A renda, aí, não é fixa. É variável. O ponto é que se trata de uma parte da carteira que reage aos juros de forma oposta à da renda fixa pós-fixada. Então serve para diversificar – ainda que traga risco de baixa no saldo.

Nessa fauna de ETFs, há uma novidade: os “ETFs de prazo fixo”. Eles são relativamente complexos (e o InvestNews explica aqui a mecânica toda). Aqui, vamos nos ater ao básico.

A NuAsset, por exemplo, tem três desse tipo: o NB0211, NB0511 e NB1011. O número antes do 11 se refere ao prazo médio de vencimento dos títulos ali dentro.

O que importa: os mais curtos oscilam menos; o saldo não vai dar grandes subidas, mas também não cairá tanto nas adversidades. Os mais longos têm o comportamento oposto. Para quem quer um porto seguro, melhor os curtos, logicamente.

Um ETF de ações brasileiras

Para a parte mais arrojada da carteira, ações. O BOVA11, da BlackRock, é um ETF clássico nessa linha: seu dinheiro fica dividido entre as empresas que formam o Ibovespa, o índice das companhias mais negociadas.

Outro, mais novo, é o NBOV11, da Nu Asset. Ele combina ações do Ibovespa com BDRs de empresas listadas no exterior, mas que são expostas à economia brasileira (como Meli, Nubank, XP…).

Uma alternativa em renda variável é investir só em grandes pagadoras de dividendos. Não exatamente porque elas pagam, mas porque são companhias mais maduras – em tese, como menos risco de uma recuperação judicial da vida.

Para investir nelas, então, use os ETFs de dividendos. É o caso do NSDV11, da NuAsset, e do DIVO11, da Itaú Asset. Também há os que depositam o valor dos dividendos na sua conta, em vez de reinvestir (caso do NDIV11). Só que aí você perde os juros compostos. Para acumular patrimônio da forma mais eficiente, vá para os que reinvestem.

Um ETF de ações gringas

Agora, ações em moeda forte: IVVB11 e SPXI11 dão acesso ao S&P 500. Seu dinheiro fica espalhado, em dólar, entre as 500 maiores empresas da bolsa americana.

Já o WRLD11 coloca o seu dinheiro em 10 mil empresas – de basicamente todas as bolsas relevantes do mundo. O cúmulo da diversificacão.

Com um ETF de cada um dos quatro tipos que mostramos aqui, então, dá para combinar exposição à Selic, aos títulos de inflação (que sobem quandos os juros caem), à bolsa brasileira e a empresas gringas.

É um bom começo.

Para mostrar como essa combinação teria funcionado na prática, o InvestNews simulou uma carteira conservadora, com 80% em CDIB11, 15% em IMAB11, 2,5% em BOVA11 e 2,5% em NSDV11. Esse combo teria acumulado até agora retorno de 13,4% em 2026.

No mesmo período, os fundos brasileiros renderam, em média, 8,6% na categoria renda fixa simples, 6,2% entre os multimercados (que combinam RF e ações) e 1,3% nos fundos de ações, segundo a Anbima. Ou seja, o combo de ETFs teria entregado uma “gordura” entre 4,8 e 12,1 pontos percentuais em relação a esses produtos.

A comparação é apenas ilustrativa, já que as categorias têm composições e níveis de risco diferentes. Mas ajuda a mostrar o que uma carteira simples e conservadora poderia ter entregado em retorno e praticidade.

Com as cotas desses ETFs custando entre R$ 50 e R$ 180, aproximadamente, seria possível começar a montar uma carteira com os quatro produtos com menos de R$ 500.

Publicado originalmente em https://investnews.com.br/investimentos/o-basico-bem-feito-4-etfs-que-podem-fazer-mais-pelos-seus-investimentos-que-uma-carteira-complexa/

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